segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

VITAL

   [T]alvez, quando se é criança, apenas o que importa é se divertir, rir e corrrer; não que sendo adulto não pudesse o fazer, mas me parece que a malicia e a maturidade concorrem com a pureza e a inocência. Pior que aquelas são mais fortes e acabam sendo tendências. Quereria eu ser criança novamente, me preocupar com quem será o Papai Noel por trás da barba repetida ano a ano; ou em adivinhar qual daqueles presentes de baixo da árvore era o meu, assim como o que de via ser. E o amigo secreto? Frio na barriga!

     Posso equivocar-me, porém o Natal, embora seja uma excelente reunião familiar e símbolo da comunhão entre os laços existentes, possui aquela sensação de saudade da infância ou dos natais anteriores. Os anos se passam, os parentes diminuem (ou, em alguns casos, aumentam), os presentes se escassam, a comida sobra por mais uma semana e você vai comer aquele pernil dia e noite. O Natal é lindo, genial! Mas o tempo degrada pouco a pouco a beleza dessa reunião.

     Acalme-te! Não é por essa pitada de pessimismo em relação ao Natal que trago esta crônica, e sim por ressaltar que a saudade, nostalgia, é precisa para a conservação da essência do "ser criança", da "inocência". Estar na casa dos 30, 40, 50 não deve significar ser chato e senil, e sim a integridade de uma pessoa que, mesmo estando mais velha a cada natal, não perde o senso de humor, as palhaçadas e o espírito carinhoso em cada abraço e expressão. O Natal?! Ah, ele é o tronco das árvores, o teto de nossa casa, a esperança para a mudança, o vento o que derruba a manga madura. Vital.

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