[E]sses dias conheci uma garota, enquanto esperava um amigo chegar. Estava
sentado, aguardando o tempo passar. Tempo se dilatava. Percebi uma moça
parada, e em pé, próxima a mim. Certamente aguardava alguém. Ou não!
Daí ela andava um pouco pra lá, e logo estava cá, ao meu lado sentada.
Bonita era (é) a moça, por que não conhecê-la até a eterna chegada de
meu amigo? Foi o que fiz. Ela estava lá a esperar alguém, sim, embora
não quisesse. Disse que o tempo não passava, que queria
ir pra casa. Quem disse? Não importa, ambos desejavam o mesmo. Porém
não podiam, pelo menos eu; falei pro amigo meu que iria aguarda-lo para
irmos, palavra é palavra. Que bom que aguardei, conhecer aquela moça
está me fazendo render esta crônica, e me trouxe experiências tácitas.
Ela era simples, extrovertida e um pouco imatura da vida vivida, da
vida. Parte de seus 18 anos explicaram sua imaturidade. Quem se julga
maduro, ao certo? O que é ser maduro? Sei não. Às vezes, é bom nem ser
um pouco disso aí (preço é alto). Papo vinha, papo se sumia e ela foi
afundo, a dentro. Sempre teve tudo que quis, filha única. Todavia, com
17 perdeu sua virgindade, com 17, caiu na prostituição. Por quê?
Pergunta sem resposta precisa a minha, óbvio. Eu, conversando com um
Mundo inteiro ali, ao meu lado... acreditando que com uma pergunta
descobriria O mundo. Que imaturo, eu! Complexa é apelido... Esperava que
ela, prostituta? Não! A vida nos pega de surpresa. Na verdade, não para
os desapercebidos; deixei um rastro ali por cima. Não precisava de
dinheiro, não precisava de corpo (já era tesão por natureza), talvez
precisasse de algo, mas não sei de quê. Nem ela sabia. Aquilo me
constrangia: o que era então?! Deixo esse nó na garganta... Incômodo
ligeiro para mim e duradouro para ela. Não pude deixar de notar seu
olhar, que era expandido pelos óculos que usava. Desnecessário
expandi-lo. Momento ou outro aquele olhar trazia um convite para o
imenso. Dizia ela que queria deixar essa vida, pensava em fazer direito.
Quem sabe ano que vem... Há vezes que deixo o programa, fico 3 meses
fora, volto. Fico 6, volto. Por que volta? Não sei explicar, se
perguntar pras minhas colegas de trabalho elas dirão a mesma coisa.
Evangélicos diriam que é a Pomba Gira (dêmonio, no ângulo em questão),
psicólogos analisariam sua história de vida a fim de justificar aquele
fim - em curso-, e minha tia falaria que é falta de vergonha na cara.
Pessoalidades a parte, esse é um universo repleto de conflitos e
reflexões. Conflitos constantes que roubam, à mão armada, à facada, a
cortes precisos, à tortura intermitente, o significado da palavra
"alívio" do indivíduo em tal circunstância. Dói, sangra. E, quando você
acha que acabou, você acorda de novo e percebe que a sua realidade é um
pesadelo. Baita moça gigante, me trouxe vida, expandiu meu universo e me
trouxe, também, um fim de noite muito agradável.
segunda-feira, 11 de abril de 2016
LEMBRANÇA EXISTENCIAL
[H]oje
não venho me queixar de minha corrida rotina que muda quase que sempre
(rotina variante). Nem venho me queixar de nada, mas sim vangloriar a
falta de tempo, o queria mais tempo, o não ter... Por que? Porque sim.
Assistir aula, correr, comer, ir ao banheiro, esquecer de encher a
garrafinha de água, voltar correndo para a tarefa interrompida, precisar
encontrar fulano às 18h, depois sair, para topar com outro alguém, e lá
se vai seu dia. A quase ausência de tempo é boa. Ocupar-se é tarefa
que nos rouba de nós mesmos, traz a existência um todo dentro do vazio.
Eu (nós), vazio (s)? Sim. Mas me poupe de religiosidades, leitor.
Esqueçamos (eu e você), só por algum momento, das verdades que nos move,
das paixões estacadas em nossos peitos. Sejas tu evangélico, católico,
umbanda, budista ou detentor de quaisquer religiões
ou convicção! O convite, aqui, se limita ao seu cotidiano, nada mais.
Decerto, não devemos nos preencher, somente, de uma rotina sufocante, já
é sabido que tudo em excesso faz mal. Porém, estar em constante
não-parar traz alguma sensação de bem estar, de dever cumprido ou em
cumprimento (caso o dia não tenha acabado ainda). De fato já apedrejei
minha louca rotina em varias fases da minha vida (curta, ainda), de
querer parar tudo o que estava sendo feito, de sentar e olhar para o
nada, em busca de algum tipo de relaxamento em meio ao caos. Em outras
palavras, venho atestar que a vida loka, a correria e o caos (chame como quiser) são bons, ás vezes. Te lembram de existir!
Pobre, sim, quem vive o pacato. Onde tudo é sempre a mesma coisa, é sempre o mesmo "tape". Mesmas pessoas, mesmo local, mesmos hábitos. Quanta mesmice... A real é que o importante mesmo é sempre mudar: de gestos, de caneca, de sorriso, de óculos, de orgulhos, de samba-canção ou, até mesmo, de rotina.
Pobre, sim, quem vive o pacato. Onde tudo é sempre a mesma coisa, é sempre o mesmo "tape". Mesmas pessoas, mesmo local, mesmos hábitos. Quanta mesmice... A real é que o importante mesmo é sempre mudar: de gestos, de caneca, de sorriso, de óculos, de orgulhos, de samba-canção ou, até mesmo, de rotina.
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