[M]eu ônibus! Perdi. Ah, já foi! Se correr alcanço, o próximo só daqui a 30 minutos, senão 1 hora - esse Pinheiros não tem hora marcada. Mas não, hoje não correrei. Pra que tenho tanta pressa? Pra onde tanto tenho ido? Nunca chego. E aqui, nesta calçada, todos estão assim: meio que fugindo. Neste instante me ausento da fuga, não preciso fugir! Fogem do trabalho, outros de suas famílias, uns de suas rotinas e, aqueles dali, nem sabem do quê. Pecam contra a saudade... Do tempo. Tão ocupados, se queixam de não o ter, ou se lamentam por sua escassez. Escasso? Escasso tenho sido por sempre andar de pressa. Preciso valorizar o quase. Se andasse quase sempre de pressa me caberia espaço para viver um pouco. Ainda que quase, não estaria sempre. Quero espaço para tragar o momento. Viver é relativo, mas o momento não (Perdoe-me, Einstein). Ele é agora! Quantas vezes deixei de vivê-lo e quebrei a cara?! Valeu a pena?
Mas tudo isso foram divagações entre a caminhada e o estar no ponto. Passam-se 10 minutos. Que sorte, o ônibus chegou mais cedo. Sorrio pra mim enquanto estendo meu braço direito. Subo no ônibus e sigo mais uma viagem - o findo dia sendo generoso comigo.