quinta-feira, 30 de junho de 2016

SOMENTE, EGO



     [O] sentimento de rejeição é corrosivo ao ser humano. Pqp! Vai corroendo o ego de pouco em quando. Mas já esclareço aqui que esta é sensação póstuma, minha! Já sentida por mim em alguma fase da vida, como um todo. Sentimento que no agora não existe, neste exato momento. Certamente, sentimento que voltará à tona quando meu ego estiver quase se estourando ou semi-cheio. Embora não vá falar sobre o sentimento de rejeição, ressalto que é sintoma secundário do que será discorrido. Esclarecido isso, para prevenção da zoeira alheia (mais especificamente, pelos amigos do coração, os quais não perdoam), que logo mais estará nos comentários, falarei um pouco mais do que nos faz lembrar do vazio que se cresce, ao lado dele: o ego.

      Sala fria esta em que estou redigindo! Faz-me recordar do quão vaga é a sensação de quando o ego se estoura. Traz-te novamente para a realidade de onde o ser humano insiste em sair, para quebrar a cara. Isso é de nossa natureza, caro leitor. O que a gente faz é lutar, para que controlemos essa bola de neve, bolha de sabão, bola de papel, neoplasia ou qualquer coisa que lhe traga a ideia de crescimento instável. Ego!

      Inúmeros são os modos em que ele pode se manifestar. Trabalho, relacionamento, conquista, dinheiro, perda (ainda quê), sonhos, expectativas... Gostaria de ser generalista agora, mas não serei. Linko-o com as expectativas. Especificando, as expectativas dentro de um relacionamento. Mas não venho me queixar, porque isso seria choramingar. E choramingar é para quem não procura encontrar soluções para seus choramingos. Venho, apenas, salientar que o ser humano, por natureza, tende a inflar-se. Natural. Natureza. Natureza previsível, e que sempre nos pega de pretensa surpresa. Porque o ego vai te cegando, você vai criando expectativas, vai alimentando, com sorrisos, vai tomando menos cuidado, só vai, vai vai... Bum! E foi. Vazio (ainda que momentâneo). Não negue o vazio, não coloque sua religião ou crença nele, tua divindade (seja lá qual for). Eu sou evangélico! O que estamos fazendo aqui é simplesmente uma reflexão neutra, imparcial. Isenta de ideologias e fé. Somente, sendo humanos! Nada mais. “Eu não tenho esse vazio!”. Por favor... Dispa-se de seu orgulho e suas convicções. Por míseros minutos de leitura. Depois vista-os, como queira. Só estamos a falar, dele, o ego.

      Ego que já se jaz! Em paz, porque estourou. Como? Óbvio. Por quebra de expectativa. Por frustrações que sempre foram meio previstas. Por ausência do algo de desejo. Pelo desejo que não se fez prazer. Morreu! Morreu naquelas... Morre e já ressuscita em segundos, minutos, às vezes dias, vez ou outra, anos. Depende do ego! Porém é certo, ele volta. Volta crescendo, novamente. O que fazer? Se eu tivesse essa resposta evitaria o vazio vindouro, que vem pra mim e virá para você. O que fazemos é só cuidar, para que ele demore mais ou menos para se estourar, muito ou pouco cheio de si, sem muitos ensaios, ego. Somente, ego.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

NOITE AGRADÁVEL

     [E]sses dias conheci uma garota, enquanto esperava um amigo chegar. Estava sentado, aguardando o tempo passar. Tempo se dilatava. Percebi uma moça parada, e em pé, próxima a mim. Certamente aguardava alguém. Ou não! Daí ela andava um pouco pra lá, e logo estava cá, ao meu lado sentada. Bonita era (é) a moça, por que não conhecê-la até a eterna chegada de meu amigo? Foi o que fiz. Ela estava lá a esperar alguém, sim, embora não quisesse. Disse que o tempo não passava, que queria ir pra casa. Quem disse? Não importa, ambos desejavam o mesmo. Porém não podiam, pelo menos eu; falei pro amigo meu que iria aguarda-lo para irmos, palavra é palavra. Que bom que aguardei, conhecer aquela moça está me fazendo render esta crônica, e me trouxe experiências tácitas. Ela era simples, extrovertida e um pouco imatura da vida vivida, da vida. Parte de seus 18 anos explicaram sua imaturidade. Quem se julga maduro, ao certo? O que é ser maduro? Sei não. Às vezes, é bom nem ser um pouco disso aí (preço é alto). Papo vinha, papo se sumia e ela foi afundo, a dentro. Sempre teve tudo que quis, filha única. Todavia, com 17 perdeu sua virgindade, com 17, caiu na prostituição. Por quê? Pergunta sem resposta precisa a minha, óbvio. Eu, conversando com um Mundo inteiro ali, ao meu lado... acreditando que com uma pergunta descobriria O mundo. Que imaturo, eu! Complexa é apelido... Esperava que ela, prostituta? Não! A vida nos pega de surpresa. Na verdade, não para os desapercebidos; deixei um rastro ali por cima. Não precisava de dinheiro, não precisava de corpo (já era tesão por natureza), talvez precisasse de algo, mas não sei de quê. Nem ela sabia. Aquilo me constrangia: o que era então?! Deixo esse nó na garganta... Incômodo ligeiro para mim e duradouro para ela. Não pude deixar de notar seu olhar, que era expandido pelos óculos que usava. Desnecessário expandi-lo. Momento ou outro aquele olhar trazia um convite para o imenso. Dizia ela que queria deixar essa vida, pensava em fazer direito. Quem sabe ano que vem... Há vezes que deixo o programa, fico 3 meses fora, volto. Fico 6, volto. Por que volta? Não sei explicar, se perguntar pras minhas colegas de trabalho elas dirão a mesma coisa. Evangélicos diriam que é a Pomba Gira (dêmonio, no ângulo em questão), psicólogos analisariam sua história de vida a fim de justificar aquele fim - em curso-, e minha tia falaria que é falta de vergonha na cara.
Pessoalidades a parte, esse é um universo repleto de conflitos e reflexões. Conflitos constantes que roubam, à mão armada, à facada, a cortes precisos, à tortura intermitente, o significado da palavra "alívio" do indivíduo em tal circunstância. Dói, sangra. E, quando você acha que acabou, você acorda de novo e percebe que a sua realidade é um pesadelo. Baita moça gigante, me trouxe vida, expandiu meu universo e me trouxe, também, um fim de noite muito agradável.

LEMBRANÇA EXISTENCIAL

     [H]oje não venho me queixar de minha corrida rotina que muda quase que sempre (rotina variante). Nem venho me queixar de nada, mas sim vangloriar a falta de tempo, o queria mais tempo, o não ter... Por que? Porque sim. Assistir aula, correr, comer, ir ao banheiro, esquecer de encher a garrafinha de água, voltar correndo para a tarefa interrompida, precisar encontrar fulano às 18h, depois sair, para topar com outro alguém, e lá se vai seu dia. A  quase ausência de tempo é boa. Ocupar-se é tarefa que nos rouba de nós mesmos, traz a existência um todo dentro do vazio. Eu (nós), vazio (s)? Sim. Mas me poupe de religiosidades, leitor. Esqueçamos (eu e você), só por algum momento, das verdades que nos move, das paixões estacadas em nossos peitos. Sejas tu evangélico, católico, umbanda, budista ou detentor de quaisquer religiões ou convicção! O convite, aqui, se limita ao seu cotidiano, nada mais. Decerto, não devemos nos preencher, somente, de uma rotina sufocante, já é sabido que tudo em excesso faz mal. Porém, estar em constante não-parar traz alguma sensação de bem estar, de dever cumprido ou em cumprimento (caso o dia não tenha acabado ainda). De fato já apedrejei minha louca rotina em varias fases da minha vida (curta, ainda), de querer parar tudo o que estava sendo feito, de sentar e olhar para o nada, em busca de algum tipo de relaxamento em meio ao caos. Em outras palavras, venho atestar que a vida loka, a correria e o caos (chame como quiser) são bons, ás vezes. Te lembram de existir!  
      Pobre, sim, quem vive o pacato. Onde tudo é sempre a mesma coisa, é sempre o mesmo "tape". Mesmas pessoas, mesmo local, mesmos hábitos. Quanta mesmice... A real é que o importante mesmo é sempre mudar: de gestos, de caneca, de sorriso, de óculos, de orgulhos, de samba-canção ou, até mesmo, de rotina.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

OLHAR ESTRANGEIRO

     [E]stou de frente a uma moça, bonita. Seu olhar me chama atenção! Está longe, e, agora, perto (nos meus olhos). E, já, distante de novo - nem mais sei onde. Olhar estrangeiro...

     Volte aqui! Deve estar lá atrás, observando as dificuldades que já passou com sua mãe (dependente química) ou que ainda passa, ou acerca de seus conflitos existenciais, buscando motivações para viver e se encaixar neste mundo que morre pouco a pouco todos os dias. Olhar profundo, cansado de ser enxugado; é a ponte para seu Mundo (quase oculto, em penumbra). Carrega nele experiências daquelas que cansa a gente, que dá vontade de sumir por um tempo e voltar só quando tudo estiver ajeitado. Sufoca!

     Contudo, olho pra ela e sorrio - assim, sem motivo -, ela sorri também. Seu sorriso me preenche e traz consigo paz (penumbra diminui). Como? Sei lá; sei que é algo gostoso, o qual mostra um modo de superação em meio a tantos choques de realidade. Encontro-me de frente a um olhar maduro por tantos aborrecimentos, problemas e transtornos. Mas esses dissabores dão origem e aparência a mulher que é, mesmo tendo apenas quatorze anos. Às vezes a vida cobra absurdo, sem perguntar idade, condição ou gosto, sem choro, nem resenha, com gelo ou sem gelo.

     Eu? Queria ser solução! Entendo-te, Drummond, pois tenho apenas duas mãos e o sentimento do Mundo.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

CORRERIA ALEATÓRIA PARA LUGAR NENHUM

     [M]eu ônibus! Perdi. Ah, já foi! Se correr alcanço, o próximo só daqui a 30 minutos, senão 1 hora - esse Pinheiros não tem hora marcada. Mas não, hoje não correrei. Pra que tenho tanta pressa? Pra onde tanto tenho ido? Nunca chego. E aqui, nesta calçada, todos estão assim: meio que fugindo. Neste instante me ausento da fuga, não preciso fugir! Fogem do trabalho, outros de suas famílias, uns de suas rotinas e, aqueles dali, nem sabem do quê. Pecam contra a saudade... Do tempo. Tão ocupados, se queixam de não o ter, ou se lamentam por sua escassez. Escasso? Escasso tenho sido por sempre andar de pressa. Preciso valorizar o quase. Se andasse quase sempre de pressa me caberia espaço para viver um pouco. Ainda que quase, não estaria sempre. Quero espaço para tragar o momento. Viver é relativo, mas o momento não (Perdoe-me, Einstein). Ele é agora! Quantas vezes deixei de vivê-lo e quebrei a cara?! Valeu a pena?
   
     Mas tudo isso foram divagações entre a caminhada e o estar no ponto. Passam-se 10 minutos. Que sorte, o ônibus chegou mais cedo. Sorrio pra mim enquanto estendo meu braço direito. Subo no ônibus e sigo mais uma viagem - o findo dia sendo generoso comigo.

terça-feira, 28 de abril de 2015

BARULHO

     [N]ão se sabe ao certo classificar o mundo em que estamos vivendo. Eu, em extrema sinceridade, declaro estar perdido! Zonzo em meio aos barulhos de o que é certo e o que é errado. Mas já deixo posto que não cabe aqui uma discussão de caráter ético ou religioso, pois tanto um quanto o outro se encontram comigo, zonzos.

     Tal zonzeira se dá pelas transformações grotescas as quais estamos vivendo. Impossível não responsabilizar a tecnologia, coitada. Ela quem tem reestruturado os conceitos de relacionamento, instituição e tudo aquilo que envolva relações sociais. Estar em um rodizio de pizza com namorada ou, até mesmo, com a esposa, é algo gostoso. Talvez deixando de o ser, quando o celular dela vibra e se sabe que é uma mensagem do Whatss. Por mais que queira se contentar de que deve ser somente uma amiga ou nada relevante, o companheiro fica - quase sempre - com aquela pedra no sapato, preferindo não saber de fato, pelo menos no momento, quem mandou a mensagem (cronista ciumento, não?). Não, traduzo apenas como a maioria das pessoas se comportaria, jamais excluindo as exceções. A confiança vem sendo brutalmente desafiada por esses novos meios de comunicação, travando uma luta constante entre confiar e "confio, mas gostaria dar uma olhadinha".

     E se a mensagem do Whatss fosse um amigo, perguntando quando se veriam novamente, mandando uma cantada, ou, quem sabe, uma foto nu? E ela fosse uma esposa, com 30 e poucos anos de casada?

     Mostrarei duas visões diferentes da situação, preferindo não me posicionar em relação ao caso. Ressaltando, também, que a amostra cabe para ambos os sexos, bastando somente inverte-los. Usei o sexo feminino por motivos de maior polêmica, óbvio.

      A moça vive um casamento ordinário, o qual virou refém da rotina e fez com que o tempo parecesse se dilatar quando está na presença do marido. Nessa situação, o afeto se foi foi, o carinho se resumiu ao "oi, tudo bem?", o jantar em família se tornou diferente - apenas pela variação do cardápio, visto que os diálogos são quase os mesmos. E aparece um velho amigo, ou alguém de seu trabalho, oferecendo tudo que seu marido não oferece há décadas. A esposa cede ao extraordinário e comete a traição. O marido descobre e rompe o matrimônio. Tivera ela terminado antes do adultério? Tivera ela resistido ao amigo para continuar com sua vida? Ela, que culpa teve?

      Já nesta, mulher, casada e adultera. A moça infere dois princípios: o religioso (se o for) e o da instituição familiar - ético e moral. Sendo completamente falha, carnal, pecadora e antiética. Envergonha a honra de seu marido, bem como se ridiculariza perante seus filhos (os tendo) e deveria, no mínimo, ter tentado resgatar um casamento medíocre e rotineiro, por fim classificando-se como promiscua. Ainda aqui, o marido procura uma solução, tentando não quebrar o laço que Deus concretizou há anos e permanecer com a esposa amada. Como pôde cometer a façanha, depois de 30 e tantos anos de casada? Preferiu ser infiel a buscar ajuda para não vacilar?

     Hoje me isento de ser juiz! O que sabem os juízes? Talvez se encontrem na mesma situação. O atrito é que independente da visão que você compactue, sempre haverá alguém que compactue com a mesma visão que você e mesmo assim cometerá o caso. Não digo "o erro", pois os sons se confundem: o que é certo? O que é errado? Certo, errado?

     Não sabendo até aonde a minoria o comete e até quando a minoria será minoria, se tornando maioria, se é que já não se tornou.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

A MOÇA DO ÚTERO LAICO (*)

     [H]oje fui ao médico. Fui pra ver se ele me receitava algum remédio para os meus enjoos: eles não param! Ele perguntou há quanto tempo estava assim. Eu disse que desde quarta feira, já fazem uns dias. Não, não tive diarreia e nem febre, só isso mesmo. Pediu, sério, para que eu me deitasse na maca, pegou um aparelho, passou um gelzinho e botou em minha barriga. O médico perguntou se eu já sabia. Sabia? Do quê? Da gravidez, de 3 meses.

     Perdi o chão por alguns segundos, não sentia o ar a minha volta ou minha pele encostada no papel da maca. Meu coração acelerou, o frio na barriga foi inevitável. Voltei, tentando digerir a ideia e ao mesmo tempo vomitando-a! Como assim, gravidez? É, isso mesmo Moça, parabéns! Parabéns?! Não posso ter esse bebê, não tenho condições de mantê-lo, dar-lhe uma vida, vida que não tive. Vou abortar!

     Não, Moça, em nosso país isso não é permitido, é crime. Além disso, aborto é pecado! Sabe o que é, Doutor? Meu útero é laico! A lei, não comprará comida, fraudas, remédios e os utensílios necessários para meu Bebê. Tampouco a igreja! Lá em casa somos em 7. Meu pai está preso, minha mãe gravida e o resto são meus Irmãos. O espaço existente lá já não é. Colocar mais um em lugar nenhum?! Dar a alguém o que não se tem?! Não posso!

     Cresci assim: vendo meus Irmãos mais velhos no tráfico, os mais novos se enveredando para o crime, meu pai preso por roubo e mamãe... Ela fica em casa esperando o não-sei-o-que. Tento trabalhar, ser alguém na vida! Vendo bala no farol. Daí consigo ajudar em casa, comprando alguma coisinha pra comer. Não quero isso para o meu filho, seria condena-lo a viver! Viver assim tem sido um não-viver, menos que subsistir. Não, não quero que ele subsista!

     Vou procurar uma clínica dessas que a gente acha no centro da cidade. Com mais uns meses de farol consigo dinheiro para abortar. Abortar... Espero que dê tudo certo. E se não der? Não, tem que dar!

     O médico, depois de ouvir tudo - atento aos meus olhos -, nada disse. Abaixou a cabeça, prescreveu Dramin, de oito em oito horas. Agradeci e me retirei.

Sou a Moça do Útero Laico, e tenho 15 anos