terça-feira, 28 de abril de 2015

BARULHO

     [N]ão se sabe ao certo classificar o mundo em que estamos vivendo. Eu, em extrema sinceridade, declaro estar perdido! Zonzo em meio aos barulhos de o que é certo e o que é errado. Mas já deixo posto que não cabe aqui uma discussão de caráter ético ou religioso, pois tanto um quanto o outro se encontram comigo, zonzos.

     Tal zonzeira se dá pelas transformações grotescas as quais estamos vivendo. Impossível não responsabilizar a tecnologia, coitada. Ela quem tem reestruturado os conceitos de relacionamento, instituição e tudo aquilo que envolva relações sociais. Estar em um rodizio de pizza com namorada ou, até mesmo, com a esposa, é algo gostoso. Talvez deixando de o ser, quando o celular dela vibra e se sabe que é uma mensagem do Whatss. Por mais que queira se contentar de que deve ser somente uma amiga ou nada relevante, o companheiro fica - quase sempre - com aquela pedra no sapato, preferindo não saber de fato, pelo menos no momento, quem mandou a mensagem (cronista ciumento, não?). Não, traduzo apenas como a maioria das pessoas se comportaria, jamais excluindo as exceções. A confiança vem sendo brutalmente desafiada por esses novos meios de comunicação, travando uma luta constante entre confiar e "confio, mas gostaria dar uma olhadinha".

     E se a mensagem do Whatss fosse um amigo, perguntando quando se veriam novamente, mandando uma cantada, ou, quem sabe, uma foto nu? E ela fosse uma esposa, com 30 e poucos anos de casada?

     Mostrarei duas visões diferentes da situação, preferindo não me posicionar em relação ao caso. Ressaltando, também, que a amostra cabe para ambos os sexos, bastando somente inverte-los. Usei o sexo feminino por motivos de maior polêmica, óbvio.

      A moça vive um casamento ordinário, o qual virou refém da rotina e fez com que o tempo parecesse se dilatar quando está na presença do marido. Nessa situação, o afeto se foi foi, o carinho se resumiu ao "oi, tudo bem?", o jantar em família se tornou diferente - apenas pela variação do cardápio, visto que os diálogos são quase os mesmos. E aparece um velho amigo, ou alguém de seu trabalho, oferecendo tudo que seu marido não oferece há décadas. A esposa cede ao extraordinário e comete a traição. O marido descobre e rompe o matrimônio. Tivera ela terminado antes do adultério? Tivera ela resistido ao amigo para continuar com sua vida? Ela, que culpa teve?

      Já nesta, mulher, casada e adultera. A moça infere dois princípios: o religioso (se o for) e o da instituição familiar - ético e moral. Sendo completamente falha, carnal, pecadora e antiética. Envergonha a honra de seu marido, bem como se ridiculariza perante seus filhos (os tendo) e deveria, no mínimo, ter tentado resgatar um casamento medíocre e rotineiro, por fim classificando-se como promiscua. Ainda aqui, o marido procura uma solução, tentando não quebrar o laço que Deus concretizou há anos e permanecer com a esposa amada. Como pôde cometer a façanha, depois de 30 e tantos anos de casada? Preferiu ser infiel a buscar ajuda para não vacilar?

     Hoje me isento de ser juiz! O que sabem os juízes? Talvez se encontrem na mesma situação. O atrito é que independente da visão que você compactue, sempre haverá alguém que compactue com a mesma visão que você e mesmo assim cometerá o caso. Não digo "o erro", pois os sons se confundem: o que é certo? O que é errado? Certo, errado?

     Não sabendo até aonde a minoria o comete e até quando a minoria será minoria, se tornando maioria, se é que já não se tornou.