sexta-feira, 22 de novembro de 2013

CORRA!


     [D]iga-se de passagem, olha ele, estudante. Sempre com essa mochila pesada, saindo cedo e quando volta, estudando até tarde... Vê se descansa a cabeça menino, talvez isso ajude a tomar menos comprimidos para esta dor.  Até de domingo? Tantas contas e informações na mente, como consegue? Te admiro muito! Garoto estudioso, esse tem futuro!

     Contudo a glória inexiste sem a luta, não? A dor ergue o campeão, pois quando não há caminhos com atalhos, o jeito é vestir a camisa e bater de frente com o gigante.  Penso que queixar-se da vida não é a melhor alternativa para sair da condição a qual se encontra. Depositar a responsabilidade nas circunstâncias e nas dificuldades leva você a lugar nenhum.

     Aquela fala de lá, é da velinha, é do vovô, é da mamãe, é da titia, é do papai e do irmão. Sem eles o que seria deu?  A luta não é só minha não, mas sim de todos eles! Quando venço, não venço só eu e também 
eu, por conta de mim. A vitória é deles! Nossa.

     Agora vá, querido! Corra, para poder viver conosco e aproveitar o tempo que a vida, ligeira, nos dá. Corra rápido, quero ver-te feliz a reverberar as conquistas que demoram, porém, que uma hora chegarão. O tempo é de cunho passageiro, e já está a se acabar; não temos tempo para desperdiçar. 

domingo, 20 de outubro de 2013

O SHOW VAI COMEÇAR



     [A]s cortinas se abrem e a peça agora é a África. É trivial saber sobre a pobreza e a miséria que estão encravadas nas características desse continente, mas nada como estar distante da realidade africana e negligenciar-se de tantos problemas, conhecidos superficialmente por nós, além daqueles que nem temos ciência de sua existência. De uma gama imensa de instabilidades que lá coexistem, é improvável não falar dos conflitos étnico-religiosos. Sem muito especifica-los, é de tamanha compreensão de que deveria ser algo incomum em pleno século XXl que tribos entrassem em conflito, resultando em inúmeras mortes capazes de dizimarem povos por crédulos, dogmas religiosos ou pela pigmentação da pele. A questão não é só o que ocorre, porém o que o palco admita que aconteça. Quem são os integrantes do palco? O mundo, e nele, aqueles cinco países responsáveis por estabelecerem “A PAZ MUNDIAL”: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido, e que obviamente,  “zelam” pelos Direitos Humanos. Garantem a paz fornecendo armamento bélico para diversos países, fomentando a guerra e o derramamento de sangue inocente. Tudo isso a troco de quê? Dinheiro? Números que sequer existem a não ser na abstração? Status e hegemonia?

     Reconhecer que o mundo gira em torno de interesses a favorecer alguns, onde não são considerados valores quaisquer ,apenas para consagração diante de sua própria raça, é intangível. Refletir sobre as ações antrópicas e o grau as quais podem alcançar é imprescindível para a compreensão das relações humanas. Ter o conhecimento de que o mundo vai além da dimensão aonde vivo é querer aprofundar-me na complexidade dessas tais relações, que, em suma, são deficientes.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

SENTIMENTO MUITO

      [H]oras que passam e não voltam mais. Risadas, bobeiras e tantas coisas inúteis... Mas quem nunca falou inutilidades? Se nunca, não possui esse sentimento. Sentimento este que dura pouco, mas é imensurável. Seja com quem for, sentimento muito, pois é breve mesmo, porém pode sempre vir à tona, sentimento que tem de ser valorizado e sempre relembrado.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

FOCO DE LUZ


      [V]im buscar um copo d’água, e como quem não quer nada observo da janela a garoa rala que atravessa os raios de luz do poste. Hoje no céu não há estrelas. Quem está lá fora? Uma enfermeira indo para seu plantão, uma senhora voltando da igreja, um estudante retornando para casa? Quem lá está?

     Uma criança olhando para aquele foco amarelo... Assusta-se com a buzina do carro que passa. O silêncio da noite chegou mais cedo, o vento tênue que bate em seus braços faz com que eles se cruzem de modo a esfrega-los com as mãos. Desejara uma cama naquele momento, talvez estar dentro do carro que passou, em direção a sua casa. Mas qual casa, quando esta só existe quando dorme? Tomar um banho e se enrolar de baixo das cobertas, depois da refeição, é utopia para ela. O mundo dos sonhos é subterfúgio, quando em século XXI gastam-se milhões para realizar eventos esportivos ou luxurias tais, e tantas pessoas como ela estão à margem da sociedade. Não querem carros, viagens, televisão, nem tanto dinheiro; apenas o necessário para viver, subsistir. Condená-las a vida é desleal. Enquanto uns preferem viver ilusões à realidade, muitos perecem por coisas banais e simples. Aquela criança volta a olhar para o foco.

     Apago a luz da cozinha, deixo o copo na pia e volto a dormir, aliás, amanhã começa tudo de novo.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

AVÔ

[L]evo a vida tranquila do modo mais simples e digno que poderia levar. Aposentado, cuido de minha família de todas as maneiras que ao meu alcance estão. Compro pão de manhã, levo a Velhinha para ir ao banco, arrumo o chuveiro que queimou, lavo a laje e limpo os cachorros, busco meu sobrinho na escola, faço as compras do mês e tantas outras coisas mais. Claro, o baralho com os amigos não pode faltar, junto àquela cervejinha e uns petiscos. Já vivi tanto, são tantas histórias... Sempre bem humorado estou, e com meus cabelos “bem arrumados” ando por ai dando uma ciranda. Ah a vida! Um acidente ocorre e muda todo o curso desta preciosidade indescritível. Fico tetraplégico. Não! Por quê? Sei que tudo o que se planta é o que se colhe, mas o que fizera eu para colher um fruto tão lúgubre? Antes eu tinha tantas preocupações... Hoje a minha maior preocupação é acomodar-me naquela cama de hospital sem que a dor assole os meus músculos, meus ossos. Não posso ajudar mais ninguém! E agora? Apenas sou ajudado. Minha vida acabou? Talvez não só a minha, minha Velinha. Uns dias atrás fui ao oftalmologista ver estas vistas. Ele me examinou. Disse a ele que aumentasse o grau de meus óculos, para que eu pudesse enxergar melhor o único modo de “entretenimento” que ainda me resta. A televisão, e nela o futebol e a novela das nove. Disse que não aumentaria, que por enquanto permanecesse com os atuais. O médico chamou minha filha para conversar um minutinho. Meu sobrinho que guiava a cadeira me dirigiu até a saída do consultório. Esperamos uns dez minutos. Ela saiu da sala e disse, sorrindo, que o médico perguntou um pouco sobre meu acidente. Achei estranho, pois ele já não conhecia a história? Bom, deixe pra lá. Ontem assisti ao jogo da seleção com uma dificuldade maior do que antes assistia. Hoje a novela das nove está um pouco mais escura do que ontem. Senhor, o que para mim antes era uma preciosidade, hoje é um martírio interminável. Até quando terei de colher deste fruto agoniante?

domingo, 1 de setembro de 2013

INCONSTÂNCIA

   [O] que é a vida, senão uma eterna inconstância? Em todo tempo estamos em processos de transformações, mudanças, evoluções e revoluções. Vítimas ou não da inconstância de outras pessoas, em uma rede de possibilidades e consequências.

     Os relacionamentos intra e interpessoais são o que caracteriza nossa breve passagem mundana, trazendo um sentido para a existência. Os ciclos de laços humanos são modificados ou conservados a cada período vivenciado dentro do contexto em que se está inserido, desde o primeiro dia de vida até o ultimo. Trabalhos, escolas, amigos, namoradas, moradias, viagens, passeios, internet, dentre outras milhares de convivências e locais geográficos habitáveis pelo homem, pode-se dizer que este está sujeito a inúmeros processos adaptativos de modos tanto convergentes como divergentes.

     O importante é estar ciente das mudanças que ao acaso podem ocorrer mesmo que sejam surpreendentes, sabendo assim tirar de cada circunstância um aprendizado, uma experiência ou um desenvolvimento. Decerto algumas delas serão imprevisíveis e podem ocorrer a qualquer instante. A falta de constância pode ser boa ou ruim. Mas é o que faz com que o ser humano evolua, sendo imprescindível para existência.

SOBRE O PROGRAMA MAIS MÉDICOS

      [Q]ualquer país do mundo, por mais desenvolvido que seja, sempre está em busca de solucionar os problemas e defasagens que assolam sua nação. Não é diferente do Brasil, mas as medidas que hoje estão sendo tomadas pelo governo são no mínimo ignorantes e consequentemente intermitentes. Das intervenções propostas pelo projeto estão o aumento da graduação do curso de medicina e a obrigatoriedade da prestação de serviço civil ao país.

     Sobre a primeira e mais absurda, evidencia-se falta de planejamento e debate político-social. Se o objetivo é melhorar a qualidade de serviço prestada pelos médicos, o que tem à se fazer é implantar uma seletividade mais rigorosa ao término da graduação, como uma OMB (Ordem dos Médicos do Brasil), por exemplo. É extremamente vago aumentar o período gradual sendo que está em jogo a qualidade do serviço. É como se ao visionar uma melhoria para a rede de ensino público, que por sinal é um dos outros campeões dos problemas do Brasil, fosse aumentada a grade horária de onze anos para treze anos. O problema ainda continuaria sendo o mesmo e por sinal seriam gerados outros, como a formação tardia para o ingresso básico no mercado de trabalho.

     A segunda tem uma essência coerente, porém inviável no atual momento. Se fosse uma obrigação apenas para estudantes de universidades públicas, que poderiam também ter vínculos externos, seria plausível (desde que exista infraestrutura, adequadas condições de trabalho e um plano de carreira estatal).

     Até o nome do projeto tem lá seu grau de superficialidade, pois o que mais chama atenção no problema da saúde brasileira é a falta de infraestrutura e não necessariamente a escassez de médicos. Se há carência destes a solução é simples, aumentar as vagas no curso das instituições do estado. Mas como diz um professor meu: “O Brasil é o único país que tem Ministério do Planejamento e não planeja nada”.

IDENTIDADE

      [I]deais, características, ideologias e personalidade. Basicamente, em poucas palavras, define-se um ser humano. Hoje, se Fulano se veste de certa forma, possui certos aparatos tecnológicos e atuais, sim ele está na moda! Mas Beltrano não pode “ficar pra trás”; logo tenta se equiparar com aquele, moldando-se, senão de maneira igual, semelhante. E dependendo do grau da competitividade que é originada indiretamente, é estabelecida uma barreira entre as relações sociais de convívio alheio. O senso comum que sempre esteve no topo das atividades mundanas vem englobando aqueles que se deixam, sem resistência, serem englobados.

     Contudo que escolha tenho eu? Para estar no bolo preciso me adequar e mostrar que sou capaz de acompanhar o ritmo de quem está perto de mim, projetando uma imagem do que sou, mesmo nem sabendo quem sou.

     O capitalismo tem transformado sentimentos, tem confundido os sentidos. As complexas divergências psicológicas que variavam bruscamente de individuo para individuo, começam a tomar um rumo convergente menos denso e mais sutil. Perdendo-se então aquilo que há de mais precioso a um Ser.

OPÇÃO CERTA?

     [P]ara cada decisão tomada, um paradigma é quebrado, novas possibilidades são geradas. Passamos ao longo de toda vida terrena traçando metas (em vista de que isso é essencial para a motivação da existência), tendo que optar entre duas ou mais opções, o que, consequentemente resulta em fins dessemelhantes. Exemplificando, quando se estuda para entrar em uma universidade e passa-se em quatro instituições diferentes, é preciso escolher apenas uma. E releva-se que para cada escolha que fosse tomada, seriam quatro futuros completamente diferentes, englobando assim, laços, momentos, ações, vidas e gerações, demasiadas distintas, desenvolvendo então uma dicotômica árvore de opções infinitas a serem tomadas a todo o momento.

     Uma decisão pode acarretar em uma vida mais duradoura ou em uma vida breve, pode gerar diversas consequências na qual tentamos prever a curto prazo e com mais dificuldade a longo prazo. Escolher aquela opção que aparenta ser a mais viável é o que vamos fazendo.

     Mas qual será a opção certa a se tomar? Isto é algo que jamais será respondido. O que temos por hora é saber que uma devida opção, se tomada, talvez pareça a certa, e o seja no atual ponto de vista pessoal. Dentro de tantas escolhas, por que exatamente aquela que fulano escolheu seria a correta? Nunca saberemos ao certo. O amanhã é imprevisível, por isso planeje-se e trace metas, mas sempre esteja ciente de que elas podem mudar a qualquer instante.