domingo, 1 de setembro de 2013

SOBRE O PROGRAMA MAIS MÉDICOS

      [Q]ualquer país do mundo, por mais desenvolvido que seja, sempre está em busca de solucionar os problemas e defasagens que assolam sua nação. Não é diferente do Brasil, mas as medidas que hoje estão sendo tomadas pelo governo são no mínimo ignorantes e consequentemente intermitentes. Das intervenções propostas pelo projeto estão o aumento da graduação do curso de medicina e a obrigatoriedade da prestação de serviço civil ao país.

     Sobre a primeira e mais absurda, evidencia-se falta de planejamento e debate político-social. Se o objetivo é melhorar a qualidade de serviço prestada pelos médicos, o que tem à se fazer é implantar uma seletividade mais rigorosa ao término da graduação, como uma OMB (Ordem dos Médicos do Brasil), por exemplo. É extremamente vago aumentar o período gradual sendo que está em jogo a qualidade do serviço. É como se ao visionar uma melhoria para a rede de ensino público, que por sinal é um dos outros campeões dos problemas do Brasil, fosse aumentada a grade horária de onze anos para treze anos. O problema ainda continuaria sendo o mesmo e por sinal seriam gerados outros, como a formação tardia para o ingresso básico no mercado de trabalho.

     A segunda tem uma essência coerente, porém inviável no atual momento. Se fosse uma obrigação apenas para estudantes de universidades públicas, que poderiam também ter vínculos externos, seria plausível (desde que exista infraestrutura, adequadas condições de trabalho e um plano de carreira estatal).

     Até o nome do projeto tem lá seu grau de superficialidade, pois o que mais chama atenção no problema da saúde brasileira é a falta de infraestrutura e não necessariamente a escassez de médicos. Se há carência destes a solução é simples, aumentar as vagas no curso das instituições do estado. Mas como diz um professor meu: “O Brasil é o único país que tem Ministério do Planejamento e não planeja nada”.

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