segunda-feira, 29 de junho de 2015

OLHAR ESTRANGEIRO

     [E]stou de frente a uma moça, bonita. Seu olhar me chama atenção! Está longe, e, agora, perto (nos meus olhos). E, já, distante de novo - nem mais sei onde. Olhar estrangeiro...

     Volte aqui! Deve estar lá atrás, observando as dificuldades que já passou com sua mãe (dependente química) ou que ainda passa, ou acerca de seus conflitos existenciais, buscando motivações para viver e se encaixar neste mundo que morre pouco a pouco todos os dias. Olhar profundo, cansado de ser enxugado; é a ponte para seu Mundo (quase oculto, em penumbra). Carrega nele experiências daquelas que cansa a gente, que dá vontade de sumir por um tempo e voltar só quando tudo estiver ajeitado. Sufoca!

     Contudo, olho pra ela e sorrio - assim, sem motivo -, ela sorri também. Seu sorriso me preenche e traz consigo paz (penumbra diminui). Como? Sei lá; sei que é algo gostoso, o qual mostra um modo de superação em meio a tantos choques de realidade. Encontro-me de frente a um olhar maduro por tantos aborrecimentos, problemas e transtornos. Mas esses dissabores dão origem e aparência a mulher que é, mesmo tendo apenas quatorze anos. Às vezes a vida cobra absurdo, sem perguntar idade, condição ou gosto, sem choro, nem resenha, com gelo ou sem gelo.

     Eu? Queria ser solução! Entendo-te, Drummond, pois tenho apenas duas mãos e o sentimento do Mundo.