[M]eu pescoço virou escravo! Quando menos percebo está se curvando 60° graus para este objeto que de cá escrevo. Atendo suas necessidades sempre que chama, sempre que vibra. Quando não, dou uma olhadinha, rolo uma página, vejo uma foto, um comentário - tudo tipicamente genérico... Estou aqui, na roda com os amigos, com a namorada e em mais três grupos aleatórios; sou onipresente! Patético.
Sacio minhas necessidades fisiológicas multuamente com sua necessidade de me envolver, de me roubar a noção do tempo real. Não obstante, tento, sempre que possível, responder quem está pessoalmente comigo enquanto digito ou racionalizo o que alguém disse. Quanta informação! Pode repetir o que disse, por favor?
O metrô é um dos lugares que me fascina! No vagão, 85% dos pescoços estão curvados em 60° graus, pois dos 15% "livres" 5% leem livros, 7% conversam entre si (presencialmente) e 3% são uma ou outra senhoras aguardando o destino. Deparo-me com um mundo cada vez mais homogêneo. Triste.
Não me isento de tais atitudes, tampouco me vejo livre desta tendência que envolve o mundo. Mas o nosso maior defeito é ser fraco, leitor. Revogar momentos presentes para atender, frequentemente, momentos inexistentes, falsos. A luta não se faz contra o que rege este objeto, e sim contra sua imaturidade ao utilizá-lo. Curvar-se 60° graus a isto, a nada, prova minha impotência perante mim mesmo.
terça-feira, 21 de outubro de 2014
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Sou MUDANÇA
[P]reciso estar em constante mudança. Ser melhor! Não para mim, mas para aqueles com quem convivo ou passarei por perto. Difícil! Não é nada simples mudar a si mesmo (redundante? Isso mesmo!), dói, o orgulho nega e a alma resiste. Processo árduo o qual jamais se acaba. Então por que mudar, se nunca serei um mudado? Porque Sou Mudança. Talvez hoje me tornei um ser humano melhor do que ontem, que assim seja! No caminho da transformação pessoas sentem, se surpreendem e, alguns, tomam a ti como exemplo de mudança. Sê completo! Mudo para ser simples, para ter compaixão, para ser altruísta, para ser diferente, para encontrar o equilíbrio entre ser racional e, hora, emocional. Nunca agradarei à todos que estão a minha volta, porém abrangerei, com um sorriso, o próximo que procura por mudanças ou quer Ser Mudança. Não me lamento do que passou ou do quanto errei, pois enquanto há possibilidade de reinventar-se escolho mudar.
terça-feira, 3 de junho de 2014
ESQUECIMENTO
[E]squeço-me, muitas vezes, de dar atenção para gestos que são infimamente simples. Gestos tão bobos, banais e até fúteis, mas de total relevância para vida.
Como dar um beijo na testa de meu avô, desejando-lhe uma boa noite. Ou como sentar-se a mesa com minha mãe na hora do jantar (geralmente o momento mais oportuno da rotina que sempre nos condena), com a família, para falar um pouco dos acontecimentos do dia a dia, do ônibus lotado, do esquecido guarda chuvas que fora esquecido no serviço, da programação do dia seguinte, do jogo de domingo ou de quaisquer outros assuntos corriqueiros.
Não esqueço-me, quase nunca, de estudar, trabalhar, entregar, buscar, levar, pegar, correr, comer, andar, ligar, conectar, em suma, verbalizar. As tantas ações do cotidiano me impõem obrigações que me fazem esquecer do simples, do elementar. Escravo de verbos (ações)? Como sou tolo. Acorde! Não se esqueça de viver (malditos verbos), viver aquilo que é simples, sem relevância para o "politicamente correto" ou para o comum alheio. Quero acordar sem hora pra levantar, curtir -da laje de casa- o céu estrelado com ela (falando sobre coisas sem importância e desconhecidas), elogiar a comida de minha mãe, chegar em casa e dar um abraço em meu pai, dizendo que o amo, sair com os amigos para rir do passado, do presente e do futuro.
Esqueço-me de tanto, de muito, do simples. Esqueço-me até de que o tempo não para, não ensaia, não espera minhas preocupações, tampouco minha falta de atitude para com a vida. Só não esqueço daquilo que não me faz viver.
Como dar um beijo na testa de meu avô, desejando-lhe uma boa noite. Ou como sentar-se a mesa com minha mãe na hora do jantar (geralmente o momento mais oportuno da rotina que sempre nos condena), com a família, para falar um pouco dos acontecimentos do dia a dia, do ônibus lotado, do esquecido guarda chuvas que fora esquecido no serviço, da programação do dia seguinte, do jogo de domingo ou de quaisquer outros assuntos corriqueiros.
Não esqueço-me, quase nunca, de estudar, trabalhar, entregar, buscar, levar, pegar, correr, comer, andar, ligar, conectar, em suma, verbalizar. As tantas ações do cotidiano me impõem obrigações que me fazem esquecer do simples, do elementar. Escravo de verbos (ações)? Como sou tolo. Acorde! Não se esqueça de viver (malditos verbos), viver aquilo que é simples, sem relevância para o "politicamente correto" ou para o comum alheio. Quero acordar sem hora pra levantar, curtir -da laje de casa- o céu estrelado com ela (falando sobre coisas sem importância e desconhecidas), elogiar a comida de minha mãe, chegar em casa e dar um abraço em meu pai, dizendo que o amo, sair com os amigos para rir do passado, do presente e do futuro.
Esqueço-me de tanto, de muito, do simples. Esqueço-me até de que o tempo não para, não ensaia, não espera minhas preocupações, tampouco minha falta de atitude para com a vida. Só não esqueço daquilo que não me faz viver.
domingo, 11 de maio de 2014
NÃO SÓ HOJE!
[N]aqueles dias em que você acorda com dor de garganta e com
febre, ela vem. Coloca a mão em sua testa, emiti uma expressão de preocupação e
diz: “Hoje você não vai à escola filho!”. Em seguida lhe dá remédio, juntamente
com o beijo único que só ela sabe dar. E finaliza dizendo: “Agora vá dormir!”.
Mesmo aqueles que já terminaram a escola ou até não possuem
mais a mãe presente se lembram de episódios do tipo. Difícil descrever em uma
crônica o sentimento sem igual de tudo aquilo a que o homem pôde sentir. Mas
esse título divino simboliza algo heroico, seguro, justo e verdadeiro. Poderia
eu passar horas escrevendo adjetivos dos mais variados, e ainda sim faltariam
palavras para descrevê-la.
Ao invés de tentar dizer o que significa uma mãe, coisa que
jamais conseguiria o fazer, falarei rapidamente deste dia: O Dia das Mães.
Para alguns, apenas fonte de dinheiro, para outros, um dia comum. Mas penso que, embora seja apenas mais um dia da semana, serve para lembrarmos do valor de uma mãe. Valor este a qual nos esquecemos na correria do dia a dia. Entretanto não por sermos ingratos, e sim porque a vida nos exige suor. Enquanto há vida, temos oportunidades de, através de gestos simples, mostrar o afeto, carinho e gratidão que temos por nossas mães. Não digo presenteá-las com o perfume mais caro ou enchê-las de presentes, porém dar-lhes um beijo antes de dormir e dizer: “Boa noite mãe, eu te amo!”.
Para alguns, apenas fonte de dinheiro, para outros, um dia comum. Mas penso que, embora seja apenas mais um dia da semana, serve para lembrarmos do valor de uma mãe. Valor este a qual nos esquecemos na correria do dia a dia. Entretanto não por sermos ingratos, e sim porque a vida nos exige suor. Enquanto há vida, temos oportunidades de, através de gestos simples, mostrar o afeto, carinho e gratidão que temos por nossas mães. Não digo presenteá-las com o perfume mais caro ou enchê-las de presentes, porém dar-lhes um beijo antes de dormir e dizer: “Boa noite mãe, eu te amo!”.
Sei que meu texto não contemplará todos os filhos, nem todas
as mães. Mas àqueles que ainda a tem, não deixem os dias de sua mãe morrerem,
porque Dia das mães não é hoje. É o dia em que você nasce e se estende até
agora, pois o daqui a pouco já não nos pertence.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
OLHAR VAZIO
[A]o assistir o jornal enxergo um futuro, não tão distante. Sei, bem sei,
que a mídia mostra o que lhe convém, mas ainda sim sempre traz algo
real.
A mulher que tem câncer e precisa fazer mamografia não pode, porque este, e sei la quais outros tipos de exames, estão concentrados no sul e no sudeste. Os computadotes de ultima geração que foram comprados para a escola publica encontram-se em caixas fechadas, há mais de um ano num galpão (custaram R $ 820.000, 00). O nível das reservas de água está extremamente baixo. Ontem houve um apagão, 3 estados foram atingidos.
Tudo muito bom, tudo muito bem, até acontecer comigo. Assim pensa aquele cara que tem muito dinheiro, aliás, lá fora ninguém passa tanta necessidade que não possa dar um jeito. A mulher do câncer morreu, pois se tivesse uma maquina de mamografia em sua cidade, não teria morrido. Aqueles computadores parados há um ano no galpão, continuarão lá, e, o dinheiro usado para a compra deles está no bolso de alguém, a qual poderia ter comprado a maquina para a moça do câncer. As reservas de água acabaram, por falta de investimento. E a luz, eles deram um jeito.
Só enxergo isso, um vazio.
A mulher que tem câncer e precisa fazer mamografia não pode, porque este, e sei la quais outros tipos de exames, estão concentrados no sul e no sudeste. Os computadotes de ultima geração que foram comprados para a escola publica encontram-se em caixas fechadas, há mais de um ano num galpão (custaram R $ 820.000, 00). O nível das reservas de água está extremamente baixo. Ontem houve um apagão, 3 estados foram atingidos.
Tudo muito bom, tudo muito bem, até acontecer comigo. Assim pensa aquele cara que tem muito dinheiro, aliás, lá fora ninguém passa tanta necessidade que não possa dar um jeito. A mulher do câncer morreu, pois se tivesse uma maquina de mamografia em sua cidade, não teria morrido. Aqueles computadores parados há um ano no galpão, continuarão lá, e, o dinheiro usado para a compra deles está no bolso de alguém, a qual poderia ter comprado a maquina para a moça do câncer. As reservas de água acabaram, por falta de investimento. E a luz, eles deram um jeito.
Só enxergo isso, um vazio.
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