quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

OLHAR VAZIO

     [A]o assistir o jornal enxergo um futuro, não tão distante. Sei, bem sei, que a mídia mostra o que lhe convém, mas ainda sim sempre traz algo real.

      A mulher que tem câncer e precisa fazer mamografia não pode, porque este, e sei la quais outros tipos de exames, estão concentrados no sul e no sudeste. Os computadotes de ultima geração que foram comprados para a escola publica encontram-se em caixas fechadas, há mais de um ano num galpão (custaram R $ 820.000, 00). O nível das reservas de água está extremamente baixo. Ontem houve um apagão, 3 estados foram atingidos.

      Tudo muito bom, tudo muito bem, até acontecer comigo. Assim pensa aquele cara que tem muito dinheiro, aliás, lá fora ninguém passa tanta necessidade que não possa dar um jeito. A mulher do câncer morreu, pois se tivesse uma maquina de mamografia em sua cidade, não teria morrido. Aqueles computadores parados há um ano no galpão, continuarão lá, e, o dinheiro usado para a compra deles está no bolso de alguém, a qual poderia ter comprado a maquina para a moça do câncer. As reservas de água acabaram, por falta de investimento. E a luz, eles deram um jeito.

Só enxergo isso, um vazio.

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