[H]oje
não venho me queixar de minha corrida rotina que muda quase que sempre
(rotina variante). Nem venho me queixar de nada, mas sim vangloriar a
falta de tempo, o queria mais tempo, o não ter... Por que? Porque sim.
Assistir aula, correr, comer, ir ao banheiro, esquecer de encher a
garrafinha de água, voltar correndo para a tarefa interrompida, precisar
encontrar fulano às 18h, depois sair, para topar com outro alguém, e lá
se vai seu dia. A quase ausência de tempo é boa. Ocupar-se é tarefa
que nos rouba de nós mesmos, traz a existência um todo dentro do vazio.
Eu (nós), vazio (s)? Sim. Mas me poupe de religiosidades, leitor.
Esqueçamos (eu e você), só por algum momento, das verdades que nos move,
das paixões estacadas em nossos peitos. Sejas tu evangélico, católico,
umbanda, budista ou detentor de quaisquer religiões
ou convicção! O convite, aqui, se limita ao seu cotidiano, nada mais.
Decerto, não devemos nos preencher, somente, de uma rotina sufocante, já
é sabido que tudo em excesso faz mal. Porém, estar em constante
não-parar traz alguma sensação de bem estar, de dever cumprido ou em
cumprimento (caso o dia não tenha acabado ainda). De fato já apedrejei
minha louca rotina em varias fases da minha vida (curta, ainda), de
querer parar tudo o que estava sendo feito, de sentar e olhar para o
nada, em busca de algum tipo de relaxamento em meio ao caos. Em outras
palavras, venho atestar que a vida loka, a correria e o caos (chame como quiser) são bons, ás vezes. Te lembram de existir!
Pobre,
sim, quem vive o pacato. Onde tudo é sempre a mesma coisa, é sempre o
mesmo "tape". Mesmas pessoas, mesmo local, mesmos hábitos. Quanta mesmice...
A real é que o importante mesmo é sempre mudar: de gestos, de caneca,
de sorriso, de óculos, de orgulhos, de samba-canção ou, até mesmo, de
rotina.
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