segunda-feira, 11 de abril de 2016

LEMBRANÇA EXISTENCIAL

     [H]oje não venho me queixar de minha corrida rotina que muda quase que sempre (rotina variante). Nem venho me queixar de nada, mas sim vangloriar a falta de tempo, o queria mais tempo, o não ter... Por que? Porque sim. Assistir aula, correr, comer, ir ao banheiro, esquecer de encher a garrafinha de água, voltar correndo para a tarefa interrompida, precisar encontrar fulano às 18h, depois sair, para topar com outro alguém, e lá se vai seu dia. A  quase ausência de tempo é boa. Ocupar-se é tarefa que nos rouba de nós mesmos, traz a existência um todo dentro do vazio. Eu (nós), vazio (s)? Sim. Mas me poupe de religiosidades, leitor. Esqueçamos (eu e você), só por algum momento, das verdades que nos move, das paixões estacadas em nossos peitos. Sejas tu evangélico, católico, umbanda, budista ou detentor de quaisquer religiões ou convicção! O convite, aqui, se limita ao seu cotidiano, nada mais. Decerto, não devemos nos preencher, somente, de uma rotina sufocante, já é sabido que tudo em excesso faz mal. Porém, estar em constante não-parar traz alguma sensação de bem estar, de dever cumprido ou em cumprimento (caso o dia não tenha acabado ainda). De fato já apedrejei minha louca rotina em varias fases da minha vida (curta, ainda), de querer parar tudo o que estava sendo feito, de sentar e olhar para o nada, em busca de algum tipo de relaxamento em meio ao caos. Em outras palavras, venho atestar que a vida loka, a correria e o caos (chame como quiser) são bons, ás vezes. Te lembram de existir!  
      Pobre, sim, quem vive o pacato. Onde tudo é sempre a mesma coisa, é sempre o mesmo "tape". Mesmas pessoas, mesmo local, mesmos hábitos. Quanta mesmice... A real é que o importante mesmo é sempre mudar: de gestos, de caneca, de sorriso, de óculos, de orgulhos, de samba-canção ou, até mesmo, de rotina.

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